O que eu aprendi sobre o perdão
Em Comportamento, Viva fora dos rótulos | 31 de ago de 2018

Quero começar este texto revelando uma verdade já conhecida: perdoar é muito difícil. As pessoas ficam compreensivamente confusas sobre o que é de fato perdoar. Todos nós deveríamos refletir não apenas sobre o conceito, mas também sobre a importância e o impacto que o perdão exerce na autoestima.

Na incansável busca pelo amor próprio, temos esquecido da importância do perdão nessa trajetória. Quando nos desobrigamos do dever de atender padrões, fica o arrependimento de tantas experiências e oportunidades perdidas para o medo de sermos inadequados e julgados.

Por trás de toda essa resistência de se reconhecer mora o remorso daqueles que nos fizeram nos sentir mal, julgados e inaceitáveis por causa dos nossos corpos ou quilos “a mais”.

Durante minha redescoberta encontrei a importância de me perdoar, já que durante toda minha adolescência eu me culpei severamente por não ser como as outras garotas da minha idade. Também entendi que o rancor que eu nutria por aqueles que me apontaram, ridicularizaram ou me diminuíram só afetava a minha autoconfiança.

Tudo isso parece fascinante, mas não posso deixar de dizer quão desafiador é passar por cima daquilo que te machucou e marcou um dia. O fato é que, para chegarmos no controle da nossa autoestima, é preciso deixar para trás as experiências ruins para então ressignificarmos a nossa forma de ver e viver a vida.

Em resumo, a capacidade de perdoar amplia nossa habilidade de lidar com situações constrangedoras e carregadas de preconceito, abre a possibilidade de reconstruir relacionamentos e, por fim, nos impede de absorver o que não agrega positivamente em nossas vidas.

O perdão é como o cesto de lixo da nossa mesa de trabalho, ele acolhe tudo aquilo que não tem valor ou que não soma e abre espaço para novos sentimentos, escancarando a porta do autoconhecimento.

É importante lembrar que perdoar não é sinônimo de aceitar o mal que o outro te fez e sim de desqualificá-lo dentro de nossa mente e coração. Isso pode ser especialmente útil se você, assim como eu, tem uma dificuldade monstruosa de conceder o perdão.

Quando não perdoamos, inconscientemente criamos barreiras a fim de impedir que o mal do outro nos atinja, mas que ao mesmo tempo dificulta nossa caminhada rumo ao amor próprio.

Assim como a recuperação da autoestima, o perdão vem com o tempo.

Curiosidade:

*No dia 30 de agosto é celebrado o Dia Nacional do Perdão. O projeto de lei, sancionado pelo presidente Michel Temer é de autoria da deputada Keiko Ota (PSB-SP), que teve o filho Ives Ota sequestrado e morto, aos 8 anos, em 30 de agosto de 1997. Depois de conhecer os assassinos do filho, a deputada e o seu marido, Masataka Ota, decidiram perdoá-los.

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